Azoofa Indica: Anelis Assumpção

19/07/2017

Shows para celebrar o vinil, este ser cujo fim parecia próximo quando do surgimento do CD, no início da década de 90, e mais ainda no momento em que o MP3 chegou ao mercado, nos anos 2000. Qual, o quê: estamos em 2014 e o vinil está vivíssimo. É ele quem movimenta um mercado fonográfico em transição e com dificuldade de vender música digital. E, quase 80 anos depois de seu surgimento, ele continua sendo o melhor suporte físico para um artista lançar disco.

Shows para celebrar o vinil: é este o objetivo do projeto "Vinil: Coisa do Futuro", que chega a sua segunda edição neste final de semana, com apresentações no Sesc Consolação da banda Sinamantes (20/06), da cantora Anelis Assumpção (21/06) e do grupo Passo Torto (22/06).

Show para celebrar seu primeiro disco: é o que fará Anelis Assumpção neste sábado, ao privilegiar o repertório de seu ótimo álbum de estreia, "Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa", lançado em 2011 em digital, CD e vinil (com duas músicas exclusivas no LP).

Nesta entrevista, Anelis comenta sua relação com o vinil, diz que o mercado "está confuso" e revela que sente falta de fazer shows em São Paulo, sua cidade natal.

AZOOFA: Anelis, essa será sua última apresentação com base no disco “Sou Suspeita Estou Sujeita Não Sou Santa”? O que você tá preparando para esse show?

Anelis Assumpção: Infelizmente, faço menos shows em São Paulo do que gostaria. Então, vou aproveitar a deixa do projeto que enaltece o vinil e tocar esse disco, tão especial e tão pouco executado por aqui...

Qual é a banda que te acompanha neste show?

Minha banda de sempre, "Os Amigos Imaginários": Mau, Zé Nigro, Edy Trombone, Lelena Anhaia, Cris Scabello e Marcelo Effori (substituindo o Bruno Buarque, mas não menos amigo nem menos imaginário).

Você certamente deve se lembrar do show em que você lançou este álbum. De 2011 pra cá, o show foi mudando muito?

Ah, acho que melhora né? Tem coisa do disco que não faço quase nunca. Tem música nova que surge no meio...é orgânico. Show tem que ser vivo.

Você gosta do palco do Sesc Consolação?

Gosto muito, e tocar no centro da cidade de São Paulo é sempre um prazer.

O projeto “Vinil Coisa do Futuro” apresenta artistas que lançaram seus discos em vinil. “Sou Suspeita...” não só saiu neste formato, como ainda saiu com duas músicas exclusivas para o LP. Como rolou essa decisão por “privilegiar” o vinil?

Foi uma vontade de chamar atenção para o vinil. Eu sabia que, inevitavelmente, essas duas músicas virariam um mp3 na primeira oportunidade, assim como o CD todo. Tê-las só no LP faz dele ainda mais especial.

No Facebook, você disse “fiz dele um LP para ter minha pequena obra no formato que acredito mais”. Qual tua relação com o vinil e porque você acredita mais nele?

Porque eu ouço. Pego. Sinto o cheiro e tenho prazer. Ouço muito mais música digital, é um fato. Mas acredito no formato do LP como suporte vivo para a obra. Essa coisa de nuvem é foda...

Você diz que lançou o disco “para observar o mercado”. Três anos depois, chegou a alguma conclusão?

Sim. O mercado é confuso. Percebo que o vinil vende tão bem ou melhor que o CD. É uma pena ser tão caro para fabricar. Mesmo quem já tem o disco baixado, não resiste. O CD já não tem esse apelo. Tenho mais downloads do meu disco e mais 'plays' no Youtube de faixas isoladas do que venderia se tivesse feito 20 mil cópias. O mercado é confuso.

Você lançou no mês passado “Song To Rosa”, primeira música do seu próximo álbum, que sai ainda este ano. Vai tentar que ele saia em vinil?

Vou tentar, não. Ele vai sair!

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arte | belisa bagiani

fotos | gerardo lazzari

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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