Azoofa Indica: Los Mind Lagunas (MEX) no Puxadinho da Praça

Quem me falou do Los Mind Lagunas foi a cantora e compositora Larissa Baq. Em 2011, durante um verão em Trancoso (BA), ela conheceu Emiliano Juarez e Alfonso Robledo, amigos de infância que fundaram o grupo mexicano de blues e funk que toca neste sábado no Puxadinho da Praça (saiba mais aqui). Larissa de cara ficou fã - do som e dos caras.

A simpatia de Emiliano na entrevista abaixo é equivalente ao talento que ele e Alfonso apresentam nos vídeos da banda espalhados pela internet. É blues, rock, funk e soul tocados com muita energia e num repertório que mistura covers e músicas próprias - músicas que estarão no primeiro disco do grupo, homônimo, que será lançado no próximo ano.

Nesta entrevista exclusiva para o Azoofa, Emiliano comenta sua relação com o Brasil, revela seu amor pelo centro de São Paulo (e pelas saborosas coxinhas) e diz que o México foi prejudicado nesta Copa do Mundo.

AZOOFA: Emiliano, como surgiu o Los Mind Lagunas? Qual é a história da banda?

Emiliano Juarez: Los Mind Lagunas surgiram na Cidade do México e foi fundado por mim e por Alfonso Robled. Queríamos fazer uma banda de blues e funk/soul que realmente tivesse esse som característico do gênero, que muitas vezes se perde ao fazer esse tipo de música em outros países, mas também poder incluir nas músicas e letras um pouco de identidade mexicana. A banda já teve varios lineups e tem vários formatos, mas sempre mantendo eu e Alfonso na frente da banda. Nós dois temos tocado juntos desde a adolescência.

Qual a relação de vocês com o blues? É um som que ouvem desde crianças?

Quando crianças, começamos escutando bandas de rock como Cream, Jimi Hendrix, Deep Purple e etc, e eventualmente nos levaram a descobrir a raíz dessa música, que foi o blues. Assim, a gente descobriu Muddy Waters, Buddy Guy, Johnny Guitar Watson e todos os mestres do blues. A partir daí, a gente começou a escutar e tocar blues, soul, funk… e nunca mais parou!

Vocês já tocaram em diversas partes do mundo. Isso foi proposital ou aconteceu naturalmente?

Essa história da banda tocar em diferentes países começou desde que tínhamos a banda na escola, ainda adolescentes no México. Faltávamos à aula para ir a tocar em outras cidades do país. Então, a gente sempre gostou de viajar e tocar. E nessas viagens, íamos conhecendo gente e fazendo contatos até eventualmente sair do país, e isso foi acontecendo cada vez mais.

E no Brasil? Qual foi a primeira vez de vocês aqui?

A minha primeira vez foi no ano de 2004, porque eu estava tocando na Espanha, onde conheci o Leo Tripa, um guitarrista brasileiro que morava lá naquela época. A gente fez amizade e conversou de fazer um projeto no Brasil algum dia. Uns 2 meses depois, eu tava chegando no Rio de Janeiro! Antes, eu fiquei 3 anos entre Estados Unidos e a Europa sem voltar ao México. Mas, assim que eu cheguei no Brasil, me apaixonei pelo país e foi como chegar em casa de novo! Há uns anos atrás, quando formamos a banda Los Mind Lagunas, o Brasil foi a primeira opção para fazer turnê! Esta será nossa terceira turnê com esta banda e sempre endoidamos aqui! Gostamos demais.

Em quais cidades brasileiras vocês tocarão nesta turnê?

Acabamos de chegar. O primeiro show será em São Carlos, o segundo em Botucatu e o terceiro no Puxadinho. Daí a gente vai pra Minas e Bahia.

O Puxadinho é um dos lugares mais importantes de São Paulo no que se refere a música autoral. É também um espaço em que a banda fica bem próxima do público. Como é para vocês tocar em um local assim?

Gostamos demais deste tipo de lugar! Preferimos lugares assim, aonde ficamos muito próximos do público, aos grandes festivais, onde nem sequer um fica próximo aos seus músicos! Saber que o Puxadinho da Praça é dos lugares mais importantes para este tipo de música só acrescenta a nossa expectativa pra o show.

Quando vocês lançam o primeiro disco?

Sai no começo do ano que vem. Vai ter participações de músicos muito importantes do gênero, como Fred Kaplan, Richard Innes, Kedar Roy, Nelson Lunding e outros convidados. O disco vai se chamar "Los Mind Lagunas". As músicas serão todas originais, exceto por 2 ou 3 covers - covers para os quais fazemos a nossa própria versão.

E no show vocês misturam canções próprias com versões?

No nosso set list, temos mais da metade de músicas próprias e nos "covers" também fazemos nossa própria versão, tirando um par de covers que deixamos como são, mas nesse caso procuramos escolher covers que não são muito tocados, mais underground.

Vocês vivem na Cidade do México. Como é a cena de lá? Existem bons espaços para bandas e artistas novos?

Nós vivemos na Cidade do México atualmente, mas tocamos mais fora do país. Lamentavelmente, há poucos espaços bons para bandas de blues, funk e soul, e a cena musical destes gêneros é praticamente inexistente. Diferente de outros países, que tem bom público, bandas, festivais ou salas dedicados a estes gêneros.

Falando sobre composição: o blues e o funk são gêneros universais, mas é inegável que estejam intimamente ligados ao idioma inglês. Vocês compõem músicas em espanhol dentro desse gênero? Ou acreditam que isso não é importante?

Sim, são gêneros universais que são em inglês, não tem jeito. Mas sem dúvida às vezes se pode mexer um pouquinho com isso, sempre e quando você adapte bem a letra e sobretudo as métricas e o jeito de cantar. A gente compõe em espanhol e em inglês, porque, ao escrever em espanhol, colocamos um pouco da identidade e engenho mexicano, mas tentando manter a essência sonora do gênero. Achamos isso importante.

Vocês conhecem a cidade de São Paulo? Se sim, queria que contassem um pouco sobre shows e outras histórias que já viveram por aqui.

Vixe! Tem coisas que não dá pra contar! A galera vai assustar! (risos). Conhecemos Sampa sim, e gostamos demais! A gente viu vários shows muito legais por aqui. Tem muito músico bom em Sampa, e de todo tipo de música. A primeira vez que nós viemos na cidade conhecemos Robson Fernandes um dos melhores gaitistas da cidade e que vai tocar conosco no show do Puxadinho. O cara é fera. Nós também colaboramos muito com André Lima, que é muito bom tecladista e produtor musical. Ele nos mostrou muita música e bandas boas na cidade! A gente gosta particularmente do centro da cidade e de comer coxinhas!

Vocês tem acompanhado a Copa? O que acharam do México no mundial? Conseguem prever uma final?

O México jogou com caráter, personalidade e esquecendo os velhos fantasmas. Lamentavelmente, tiveram que jogar contra os àrbitros em todos os jogos, e no final o árbitro nos prejudicou terrivelmente. Uma final para o México? Algum dia? Achamos difícil. Prever uma final nesta Copa? Possivelmente vai ser Alemanha x Argentina… infelizmente, né?

***

arte | belisa bagiani

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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