PLAYLIST : RASHID

28/12/2018

Rap pra ouvir antes, durante a após a virada do ano.


Rashid: uma década elevando o nível do rap nacional


Em 2007, quando resolveu dar novo nome e direção a seu trabalho, Michel Dias Costa trocou o pseudônimo Moska por Rashid, palavra árabe que significa “honesto, justo”. A novidade agradou os fãs, os amigos da época das batalhas e o nome pegou. Passada uma década desse batismo, Rashid tornou-se, literalmente, um dos nomes mais falados, ouvidos e propagados no mercado atual da música brasileira.


Garoto periférico, poderia ter sido só mais um a querer ultrapassar barreiras de classe ou raciais, mas foi justamente a verdade crua dos versos que o levou a ter sua voz e discurso consagrados pelo público e pela mídia. Na vida de um MC tudo é ritmo e poesia, as cenas mais belas mas também as de desamor. Para o rap, os relacionamentos e a sobrevivência sempre serão temas fundamentais, algo que Rashid sabe colocar e medir bem no repertório. Além disso, a literatura atravessa Rashid de maneira muito íntima. Prova disso é seu primeiro livro “Ideias Que Rimam Mais Que Palavras” (#superrecomendo) cujas rimas ganham novos formatos: crônicas de suas músicas tangenciam momentos marcantes de sua carreira.


Rashid é o #ArtistaFARO do mês de janeiro. Trocando em miúdos, ele é a primeira aposta musical da rádio SulAmérica Seguros Paradiso (95,7) de 2019. A música “Bilhete 2.0” já toca no FARO, programa que apresenta aos ouvintes a nova produção musical brasileira, e a partir de janeiro entrará na programação da rádio.



FP: Quando você percebeu que suas rimas poderiam se transformar na sua mola propulsora de vida?

Rashid: A real é que não houve exatamente esse momento, não rolou uma epifania. A minha paixão pelo Rap foi minha mola propulsora e me fez passar todos os dias da minha vida me esforçando pra rimar melhor e me aproximar um pouquinho dos meus ídolos na música. Mano Brown, Jay Z, Nas, etc... De 2005 em diante foi quando comecei a enxergar a possibilidade de tentar viver disso, participando das batalhas e sessões de rima (Batalha do Santa Cruz, Rinhas dos MC's e Central Acústica) a fim de mostrar que eu também sabia fazer aquilo. Mas minha mentalidade sempre foi muito semelhante a de um atleta: muito treino e muita prática.


Naquela época, algumas coisas começaram a rolar, pessoas começaram a me convidar para rimar no eventos e eu percebi que tinha realmente um diamante bruto em mãos. Em 2010 lancei meu primeiro EP e a partir dali comecei a ter uma agenda de shows, então esse foi o ponto da virada. 


FP: O RAP é um dos gêneros musicais mais contestadores. Qual a importância do RAP em momentos como este que o mundo está passando?


Rashid: O Rap acaba se tornando uma vitrine, um noticiário que também entretém. Então muitas vezes você tem um publico específico que não se liga em jornais, não curte ler e/ou não se interessa por certo tipo de problema ou acontecimento. Mas quando a informação vem da boca de alguém que ele(a) admira, de alguém que tem uma origem muito semelhante a dele(a), que fala como ele(a) e se parece com ele(a), aquela notícia/acontecimento se torna mais relevante, ganha mais profundidade e fica interessante. Ainda mais em cima de uma batida.


Porém, acima disso, o Rap é uma forma de arte, é música em primeiro lugar, então não há uma obrigação com o discurso (na minha visão). Pois isso traz um peso pra gente que nós nunca pedimos. É que nossa música sempre foi nossa terapia, um espelho da realidade da forma mais crua... Primeiro falávamos dos problemas (e riquezas também) do nosso bairro, da nossa quebrada, depois da cidade. Hoje, com uma voz que alcança muito mais gente, nos tornamos interlocutores de um diálogo que conecta ruas do mundo todo e os tópicos são os mais variados, como na vida, das belezas aos problemas.


FP: Quais seus planos (musicais e literários) para 2019?


Rashid:  Tenho algumas coisas na manga já pro começo do ano. Singles que são os passos rumo ao um novo álbum, que será lançado em 2019.


Ainda estamos pensando na estratégia, em como vamos colocar esse trabalho na rua agora, depois do sucesso da estratégia do disco "Crise".


Na literatura, antes de mais nada, quero conseguir chegar em mais cidades com meu primeiro livro "Ideias Que Rimam Mais Que Palavras". Fazer bate-papos, sessões de autografo, etc. Porque é uma oportunidade de conversar realmente com as pessoas. Saber mais e deixar elas verem um pouco mais do Rashid de perto, fora do palco, numa roda de conversa, numa livraria.


FP: Deixe pros leitores do Azoofa uma mensagem pra começarmos o ano renovados de esperança por dias melhores.

Rashid: Desejo a geral que o próximo ano seja um atropelo em 2018. rs
Vamos tentar investir em nós e em pessoas/projetos que tenham a ver com nossa mentalidade. Dar mais passos em direção ao que queremos nos tornar ou ao que queremos tornar o mundo.


A vida é curta mas nossa existência não precisa ser. Vamo pra cima!

Foco na missão!


Playlist

2)      O RAP é um dos gêneros musicais mais contestadores. Qual a importância do RAP em momentos como este que o mundo está passando?


R: O Rap acaba se tornando uma vitrine, um noticiário que também entretém. Então muitas vezes você tem um publico específico que não se liga em jornais, não curte ler e/ou não se interessa por certo tipo de problema ou acontecimento. Mas quando a informação vem da boca de alguém que ele(a) admira, de alguém que tem uma origem muito semelhante a dele(a), que fala como ele(a) e se parece com ele(a), aquela notícia/acontecimento se torna mais relevante, ganha mais profundidade e fica interessante. Ainda mais em cima de uma batida.

Porém, acima disso, o Rap é uma forma de arte, é música em primeiro lugar, então não há uma obrigação com o discurso (na minha visão). Pois isso traz um peso pra gente que nós nunca pedimos. É que nossa música sempre foi nossa terapia, um espelho da realidade da forma mais crua... Primeiro falávamos dos problemas (e riquezas também) do nosso bairro, da nossa quebrada, depois da cidade. Hoje, com uma voz que alcança muito mais gente, nos tornamos interlocutores de um diálogo que conecta ruas do mundo todo e os tópicos são os mais variados, como na vida, das belezas aos problemas.


3)      Quais seus planos (musicais e literários) para 2019?


R: Tenho algumas coisas na manga já pro começo do ano. Singles que são os passos rumo ao um novo álbum, que será lançado em 2019.

Ainda estamos pensando na estratégia, em como vamos colocar esse trabalho na rua agora, depois do sucesso da estratégia do disco "Crise".

Na literatura, antes de mais nada, quero conseguir chegar em mais cidades com meu primeiro livro "Ideias Que Rimam Mais Que Palavras". Fazer bate-papos, sessões de autografo, etc. Porque é uma oportunidade de conversar realmente com as pessoas. Saber mais e deixar elas verem um pouco mais do Rashid de perto, fora do palco, numa roda de conversa, numa livraria.


4)      Deixe pros leitores do Azoofa uma mensagem pra começarmos o ano renovados de esperança por dias melhores.


R: Desejo a geral que o próximo ano seja um atropelo em 2018. rs
Vamos tentar investir em nós e em pessoas/projetos que tenham a ver com nossa mentalidade. Dar mais passos em direção ao que queremos nos tornar ou ao que queremos tornar o mundo.

A vida é curta mas nossa existência não precisa ser. Vamo pra cima!

Foco na missão!


 

Quem escreveu
Fabiane Pereira

Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. É apresentadora do programa Faro na rádio carioca SulAmérica Paradiso FM (95.7 FM).

Outras matérias e entrevistas