3 perguntas para o Carne Doce


(Foto: Filipa Aurelio)


A banda goiana Carne Doce volta a São Paulo para dois shows em uma semana: primeiro, tocam no dia 31 de graça no Sesc Pompeia (às 16h). Depois é a vez de subirem ao palco do Lollapalooza, no dia 6 de abril, sábado, às 13h.

 

O Azoofa fez uma rapidinha com o guitarrista Macloys Aquino. Com muitos festivais na bagagem, a banda vai para o seu primeiro Lolla bem tranquila, segundo ele, preparada para abrir o segundo dia do festival. Abaixo, ele falou um pouco dos discos do Carne Doce e do rock hoje.

 

Três discos e cinco anos de banda depois, o que mais mudou na forma como vocês veem e fazem música nesse tempo?


Nos profissionalizamos nesse tempo e isso mudou a nossa relação com a música. Hoje temos mais condições de fazer um trabalho melhor, e também mais consciência de que devemos seguir melhorando. É uma trajetória. Temos 35 músicas gravadas: além dos três álbuns, temos dois EPs. Cada uma dessas faixas tem um sentido, sintetiza um momento, um sentimento. Temos uma história e também a consciência de que ela continua sendo escrita, de que deve continuar.  

 

Se tivessem que escolher uma música de cada disco pra falar ‘essa é a cara do Carne Doce’, quais seriam e por quê?


“Passivo” seria a música do primeiro disco, é a mais forte, é a que pegou e que até hoje pega, apesar de não encerrar esse álbum, que é complexo e cheio de sentidos. “Artemísia” seria o ícone de “Princesa”, é visceral como o disco, profunda nos sentimentos, apesar de que ainda temos “Cetapensano”, “Açaí” e “Falo”, músicas igualmente fortes. “Comida Amarga” talvez diga o que o “Tônus” signifique mais. Mas, da mesma forma que no disco anterior, ainda temos “Irmãs”, “Golpista”, todas fortes candidatas pra representar o disco.

 

As letras deste último disco falam de amor, tesão, são sensuais e a melodia idem... Vocês acham o rock de hoje muito pudico? Estamos arriscando menos?


Arriscamos menos. Qual o ícone do rock brasileiro atual? Não sei, estamos sem referência. Está aí um caminho aberto, podemos ser nós! Por outro lado, o rock se reconfigurou, foi digerido junto a outras estéticas pra formar conceitos novos, um BaianaSystem ou os Francisco El Hombre, por exemplo, fazem rock, mas não são bandas de rock. Seguimos pudicos, temos pouquíssimos exemplares transgressores se comparados ao que acontece no rap. É um estilo em crise.

 

Quem escreveu
Andréia Martins

É jornalista, trabalhou com edição e reportagem nos portais Vírgula, Globo.com e UOL cobrindo música, política e internacional. Hoje segue na redação e também é editora do Roteiros Literários, sobre literatura e viagem, e do blog Quadrinhas, sobre quadrinhos feitos por e sobre mulheres.

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