Boogarins lança 4º disco: ‘É a música pela música’

A banda Boogarins (Divulgação) 

 

Uma vida dedicada à estrada, à psicodelia e à reinvenção. Talvez essas três palavras identifiquem bem o que vem sendo a carreira da banda goiana Boogarins, que acaba de lançar seu quarto disco “Sombrou Dúvida”. As gravações rolaram em 2017 em um estúdio em Austin, no Texas (EUA), já uma espécie de segunda casa do grupo, durante as turnês nos EUA e na Europa. 

 

"A gente tem essa pegada de banda de estrada, de improvisar, desenvolver arranjos durante as turnês”, comenta o guitarrista Benke Ferraz. “Mas isso funciona porque temos uma boa comunicação na banda. Não é tão confortável assim, não temos um cronograma e fica sempre aquela coisa da primeira impressão, então é algo fresco”, completa ele, que divide a produção do disco com o americano Gordon Zacharias.

 

Ao falar sobre os temas de “Sombrou Dúvida”, Benke brinca que sempre que eles tem que achar um sentindo para a músicas a banda passa por uma “uma autoanálise”. “A gente foge desse divã. Toda a ideia que a gente tem vem da música mesmo, é a música pela música. Tudo do Boogarins tem a ver com dar vazão às músicas que a gente faz naturalmente”, diz ele.

 

Ao todo, o disco traz 10 músicas que funcionam como uma sequência do trabalho anterior, o mais experimental “Lá Vem a Morte” (2017), tanto por trazer uma sonoridade similar, porém mais clean, e uma ou outra música que não entrou naquele disco.

 

Os primeiros singles foram "Sombra ou Dúvida", música mais recente entre , "Tardança", cujo refrão foi escrito no estúdio já na hora de gravar, e "Invenção", essa última com a melodia do refrão de "Princesa", música do disco de mesmo nome dos conterrâneos do Carne Doce e composta pela vocalista Salma Jô.

 

"Tardança" tem uma curiosidade a mais: foi composta pelo baixista Raphael Vaz e é a única do álbum que não é do vocalista Dinho Almeida. "Não entendemos direito seus meios e nem seus fins, mas sendo ele o mais goiano de todos nós, nos presenteou com uma canção que ao mesmo tempo é um ‘arrocha’ safado, para dançar colado, e que explode num refrão bem anos 90. Como se o Pixies curtisse um sertanejo ao invés de um surf", diz Benke.

 

Este novo trabalho foi a primeira gravação de um disco do Boogarins em um estúdio profissional. Para Benke, isso permitiu um avanço na sonoridade do álbum. "É um passo mais maduro, mais elaborado, de flertar com a música eletrônica, trazer uma sonoridade mais clara, gerar um desconforto em quem está ouvindo, um tédio até, no meio de uma melodia boa. Conseguimos captar as melhores performances do Ynaiã Benthroldo (baterista), por exemplo, e acho que nunca conseguimos passar uma sonoridade que é a cara da banda num disco como agora".

 

 

Ao lançar o disco banda já entrou em turnê nacional e embarca no meio do ano para tocar nos Estados Unidos e na Europa. Para quem acompanha o Boogarins, é raro encontrar a banda fora da estrada. Essa marca on the road não é só glamour como muitos podem pensar.

 

"Acho que o máximo que ficamos sem tocar foi um mês. Mas gente vai ficando mais velho e nem tudo é só prazer. Tudo aconteceu muito rápido com a gente. Vieram rupturas e é uma batalha financeira. É uma vida que envelhece a gente rápido, mas também vivemos muitas coisas. A gente consegue se renovar a cada show", diz Benke.

 

Toda essa jornada rápida da banda que lançou o primeiro disco em 2013 e varou os festivais lá fora, desde o SXSW ao Coachella, foi primordial para a banda moldar seu som, a improvisar, trouxe mais entrosamento. Coisas que só o palco pode trazer.

 

"Olho para trás e vejo que não faz tanto tempo assim (que começamos). Hoje temos o mesmo frescor, o reconhecimento. Tudo isso passa mais pela minha cabeça do que pelo resto da banda. O Dinho (vocalista) não tem essas preocupações, o que deixa ele mais solto, sem ego. Ele não quer saber o que os outros pensam. Então tudo flui normal e estamos muito confortáveis. Quer dizer, eles estão, eu estou sempre suando", brinca Benke.

 

Quem escreveu
Andréia Martins

É jornalista, trabalhou com edição e reportagem nos portais Vírgula, Globo.com e UOL cobrindo música, política e internacional. Hoje segue na redação e também é editora do Roteiros Literários, sobre literatura e viagem, e do blog Quadrinhas, sobre quadrinhos feitos por e sobre mulheres.

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