O Artista em Processo: Kalaf Epalanga

foto: @lousyauber 

 

 

Kalaf Epalanga está em Berlim no momento em que seu telefone toca, e sou eu a lhe chamar do outro lado. São 10h da manhã aqui, 15h da tarde lá, Kalaf é um músico e escritor angolano que vive na Europa, eu sou um jornalista brasileiro tataraneto de italianos. Há muito a nos separar, mas derrubar estas e quaisquer outras barreiras é o motor deste gentil multiartista, que está, nesse momento, conectando fones de ouvido ao seu celular para que possa me escutar melhor.

 

Kalaf Epalanga nasceu em Benguela, Angola, em 1978. É membro da banda Buraka Som Sistema, foi cronista do jornal português Público e escreve para a GQ Portugal. Atualmente vive entre Lisboa e Berlim. O seu primeiro romance, "Também os Brancos Sabem Dançar" (editora Todavia) chegou ao Brasil no ano passado. Embora se considere "um músico não treinado", Kalaf fez história como letrista e cantor do Buraka, apresentando ao mundo o gênero kuduro e dialogando com músicas de outras periferias do planeta. 

 

A banda ficou ativa entre 2002 e 2016. Dois anos depois, chegou às livrarias "Também os Brancos Sabem Dançar", cujo primeiro capítulo trata do dia em que Kalaf foi detido por estar sem passaporte na fronteira da Noruega com a Suécia. O fato - real - é o ponto de partida para uma viagem que passa pela história de Angola, a criação do kuduro e, claro, a imigração, que ele chama de "o tema do momento". 

 

Depois de passar pela FLIP, Kalaf faz duas atividades na cidade de São Paulo nesta semana. No dia 17/07, às 20h, ele bate um papo com Anelis Assumpção e Peu Araújo no Sesc Pinheiros. No dia 18/07, às 19h30, ele conversa com o público na Bilblioteca Mario de Andrade. 

 

Com os fones instalados em seus ouvidos, Kalaf conversou por mais de uma hora e meia com Eduardo Lemos sobre a condição do músico e do escritor, refletiu sobre os atuais movimentos de imigração e demonstrou que sua relação com o Brasil é mais do que afetiva - é efetiva. "Estou no duplo papel: não vou só trazer o meu mundo ao Brasil, mas também levar os tantos Brasis que eu descobri que existem aí".



foto: Buraka Som Sistema Archive 

 

 

Esta é uma série de entrevistas que quer especialmente falar sobre processos criativos. Mas, no teu caso, há o músico e há o poeta/escritor. O que compõe sons com palavras e o que usa somente as palavras. Há diferenças no processo criativo? 

 

São diferentes e similares ao mesmo tempo. Pra mim a música é um meio. Eu penso a música como um veículo para histórias - não necessariamente histórias com palavras. Então, eu preciso sempre de um conceito ou uma ideia pra criar uma música, mesmo que ela seja instrumental. Eu não preciso de palavras para contar uma história. A procura é por descobrir emoções, e elas podem estar nos sons, nas frequências… é uma tarefa divertida e que ao mesmo tempo me provoca uma certa ansiedade. 

 

Já no processo de escrita, a palavra é que dita a história. Eu tenho uma entrega mais solta com a literatura, no sentido de que estou mais disponível ao inesperado. Na música, ao contrário, geralmente eu sei qual é o ponto de partida e qual é o ponto de chegada. 

 

Mas é estranho falar sobre processo criativo, porque eles são muito distintos. Acredito que existem métodos ou disciplinas que a gente consegue repetir e reproduzir, mas varia muito. O que sinto é que sou um privilegiado por poder saltar por entre essas disciplinas todas. 

 

Essa "falta de espaço para o inesperado" que você encontra na música: isso sempre foi assim?

 

Sempre foi assim, porque eu não sou músico treinado. Quando eu vou para o estúdio, eu tenho que saber muito bem o que eu quero, para não fazer ninguém perder tempo. E assim acho que fui ficando treinado em pensar e reagir rápido. É um exercício bom, me faz desenvolver o músculo criativo e me ajuda quando eu vou para a literatura. Por exemplo: há emoções que eu consigo criar na música apenas com sons, e que depois, ao escrever, percebo que já tinha traduzido aquela emoção, mas sem as palavras. É como se eu acessasse um grande catálogo de emoções. 

 

A música tem uma resposta imediata nas pessoas, em 30 segundos ela já sabe se gosta de uma canção. Pra quem cria é parecido: vem uma melodia e você imediatamente consegue gostar ou não dela. Na literatura, escritor e leitor precisam de mais tempo. A literatura não impõe tantos limites - você pode escrever um livro de 500 páginas sobre uma única ideia. Sim, você até pode fazer uma canção de 7 minutos, mas você sabe que só um ouvinte muito específico vai se dedicar a escutá-la. A era digital e a música pop possuem regras específicas. 

 

Transitar entre música e literatura me dá um traquejo, uma ginga. Mas, no fundo, acho que a música me ajuda mais a fazer literatura do que ao contrário. 

 

As pessoas, em geral, tem cada vez menos tempo para se dedicar a escutar um disco ou ler um livro. Como você se sente sabendo que pessoas do mundo todo vencem estes desafios e param para ler uma obra que você escreveu?

 

Como leitor, sofro dessas mesmas questões. O mundo digital é um mundo cheio de armadilhas, e que são difíceis de escapar. E a vida vai ficando mais complicada, à medida que você vai tendo mais responsabilidades, você começa a ter uma real ideia do que são 24 horas num dia, 365 dias num ano… e, cara, é pouco! (risos). Como escritor, penso nisso. Estou competindo com Netflix, Spotify, Instagram, Facebook. Preciso criar alguns ganchos no meu texto para que, se por acaso uma pessoa chegar ao meu livro, eu possa segurá-la por lá. É um desafio interessante. Eu gosto de saber que dependendo do jeito que escreva uma frase, eu posso ganhar uma guerra com o Instagram (risos). 

 

 

"Não queria ceder aos pensamentos paranoicos que se formavam na minha cabeça, mas a possibilidade de ser confundido com um traficante de drogas começava a fazer todo o sentido. Em que outra atividade poderão aplicar os seus talentos os músicos africanos que são presos a atravessar uma fronteira sem documentos? Todo o mundo sabe o difícil que é viver de música. A minha própria mãe, por mais feliz que esteja por ver o filho seguir os seus sonhos, se questionada sobre que tipo de vida desejaria que eu levasse, estou certo de que responderia algo que envolvesse uma secretária e um horário das nove às dezessete horas." (página 21)

 

Há dois temas neste trecho: o preconceito europeu contra africanos e o desejo de uma mãe que seu filho tenha uma vida mais careta. Sua mãe já entendeu que você é um artista? 

 

Eu não sei se ela realmente entendeu! (risos) Ela aceita, tem uma admiração, um respeito pelas coisas que eu faço, mas eu não sei se ela não gostaria que eu tivesse uma vida um pouco mais convencional. Voltando à ideia de tempo que falávamos: raramente eu tenho férias, meu trabalho nunca termina às 5 da tarde, frequentemente levo trabalho pra casa e viro a madrugada. Esse é o normal de nossa condição, seja você como jornalista ou eu como escritor e músico, certo? Não temos horário. Quando estamos nos divertindo num show ou vendo um filme, também estamos pesquisando. O prazer e a obrigação estão misturados. 

 

Acho que minha mãe tem pena de mim. Há um lado romântico - "o artista livre que tem seus próprios horários" - e um lado ruim, que é o fato de essa dedicação nunca ser recompensada financeiramente de forma equilibrada. E isso os pais sentem. Não é que eles não queiram que você siga nesta vida ou mesmo que não vibrem com suas conquistas, não é isso; acho que eles ficam tristes por ver que você nunca consegue se dar ao luxo de só 'estar' num lugar. Nós nunca só 'estamos'. Ficamos constantemente ligados, e isso pode ser exaustivo. 

 

Sobre o preconceito, mais adiante, você também diz: 

 

"Se a Europa me ensinou alguma coisa foi a de que não existe nada mais assustador do que um africano a atravessar-lhes as fronteiras." (página 41)

 

Três anos depois que você anotou isso no livro, como está este tema?

 

Bom, esse é o assunto do momento. Todo mundo já sabe que o capitalismo falhou, ou tá em vias do colapso total. Logo, todo mundo quer racionar as coisas e dizer "acabou o bem bom, vamos impor limites e definir quem pode ou não usufruir disto". Esse medo que a Europa sente do imigrante vem muito daí. Vivendo aqui, eu encontro pessoas civilizadas que até tem uma visão humanista de mundo e que não são racistas (ao menos não de maneira clara), e que mesmo assim professam essa visão de querer selecionar, travar, condicionar as entradas dos imigrantes. Fazem isso sem entender a razão pelas quais as pessoas emigraram. Sem entender que isso, em grande medida, é consequência das políticas racistas que foram implementadas séculos atrás e que beneficiaram este países. Para alguém ficar rico, alguém teve que ficar sem nada. Os africanos que chegam na Europa são a prova de que o sistema falhou. 

 

E é muito fácil um indivíduo dizer "eu não sou racista", sendo que ele é beneficiado por um sistema segregacionista e opressor, que dita 'umas pessoas terão mais, outras terão menos, ou nada'. Embora eu tenha afinidades com o pensamento de esquerda e me sinta próximo a ela, eu não sou aquele cara que bate palmas e diz que a esquerda está fazendo tudo super bem. Eu também vi o sistema comunista falhar, vi as suas ciladas. A imigração, nesse momento na Europa, está a servir como alerta e prova irrefutável do quanto o sistema capitalista não funciona. É uma resposta aos processos de colonização feito às pancadas, sem nenhum respeito para com o outro. Essa fatura chama-se imigração, e ela chegou. 

 

E tudo isso coloca em xeque a própria democracia, porque democracia sem o bem estar de todos não funciona. É um cenário trágico, mas que ao mesmo nos mostra como nós, seres humanos, não estamos conseguindo por em prática o que os livros e as ideias propõem. 

 

 

"Foi com ele [o primo Tininho] que descobri o gosto pelas mixtapes gravadas em cassetes. As da BASF eram as nossas preferidas. Passávamos tardes a fio junto ao rádio, a gravar a seleção perfeita que, regra geral, oferecíamos aos amigos ou às garinas. "Que nunca se subestime o poder de uma mixtape no jogo de sedução", dizia Tininho. "Uma cassete com a seleção certa, na nossa era, vale tanto quanto os Sonetos de Shakespeare", acrescentava." (página 24)

 

Aqui você fala da mixtape em fita cassete como um meio poderoso de se descobrir e espalhar música. Há uma certa magia na fala de quem viveu os anos 80/90, como se a dificuldade em acessar também trouxesse uma surpresa e uma alegria. Hoje há as playlists e o acesso ilimitado dos streamings. A música perde sua magia quando toda ela cabe dentro de um aparelho celular?

 

Eu cresci nos anos 80 e 90 e sou invadido por uma absurda nostalgia pelo tempo da fita cassete e da rádio. Mas eu acho maravilhoso o que está acontecendo com as plataformas digitais. A antiga mixtape agora se chama playlist, é apenas uma nova época que está aí. Mas às vezes fico a comparar o cara de 14 ou 15 anos de hoje com o cara de 14 ou 15 anos que eu era, quando estava desenvolvendo meu próprio gosto. Eu sinto que o cara de 14 ou 15 anos hoje tem uma relação com música diferente da minha. Sinto que ele é menos aventureiro. Hoje as tribos estão muito mais definidas. O cara que só ouve uma coisa, só ouve uma coisa. Eu cresci ouvindo muito rap, mas o rap me permitiu chegar até outros gêneros. Eu sou da geração que ouvia De La Soul e a Tribe Called Quest, e aquela coisa deles de samplear me fez abrir os ouvidos para músicas que certamente eu não escutaria, não fossem aqueles discos. Ok, eu conhecia jazz, mas conhecia só John Coltrane, Miles Davis. Essas bandas me apresentaram Freddie Hubard (trompetista estadunidense) ou Weldon Irvine (compositor e pianista estadunidense), por quem eu tenho um apreço muito grande até hoje. O próprio Gil Scott Heron. Ou seja, eu precisava ouvir música para poder descobrir novas músicas. E não sei se a galera mais nova tem essa abertura. 

 

Por exemplo: um dos meus discos preferidos é a trilha sonora de um filme chamado "Judgment Night" (1993). O filme é horrível, mas a trilha tinha músicas que misturavam rap e rock, como De La Soul e Teenage Fanclub, ou Living Colour e Run DMC, Sonic Youth com Cypress Hill. Isso me marcou muito. Essa busca e essa abertura é uma coisa de quem vive na periferia. Hoje eu vivo no centro e tenho reparado nisso. As pessoas do centro se tornam especialistas em uma coisa e ficam naquilo pra sempre. Eu gosto de cinema de pipoca e de Godard. Gosto de filmes com carros explodindo e do Cinema Novo brasileiro. 

 

Mas não quero ser aquele tipo que diz "na minha época é que era bom" (risos). Os tempos de hoje são igualmente interessantes. 

 

"Todos os angolanos sabem que as discotecas não são o lugar ideal para dançar. As festas de quintal e os casamentos é que são os lugares para se dar passadas."  (página 34)

 

Como começa a tua relação com a música? Foi em casa, foi na rua? 

 

Foi um pouco por todo lado. Minhas primeiras memórias são de músicas que tocavam na rádio. Escutava jazz no programa da madrugada e Pink Floyd e Dire Straits no programa da tarde. Outro fator foi a condição geopolítica, em Angola recebíamos muita música brasileira por causa das novelas, muita música cubana por conta dos médicos e, no meu caso, os mercados de rua também me apresentaram muita música, porque sempre havia alguém tocando. E, por fim, a vontade de dançar. A música era nosso divertimento mais imediato. Você não precisa esperar o filme entrar em cartaz, como no cinema - ao qual não tínhamos acesso, aliás. Uma lata é suficiente pra fazer música: você inventa um ritmo, cria uma melodia, a coisa circula sem que você precise de muitas ferramentas. 

 

Sou da geração que perdeu contato com as línguas nacionais. Na época dos meus pais, eles foram doutrinados com a ideia de que, para conseguirem bons empregos, teriam que adotar a cultura dos colonizadores, em detrimento de sua cultura. Não é que eles largaram a sua espiritualidade ou seus valores, mas a língua sempre foi um trunfo maior: você julgava como alguém estava preparado para o mundo pela forma como ele falava português. E nossos pais, tentando nos preparar pra vida, embarcaram nessa canoa furada de que não precisavam das línguas autóctones. Isso, sem dúvida, acontece por uma razão social mas também política. Quando Angola ficou independente, enfrentou uma guerra civil, e recuperar as línguas nativas não era uma prioridade. Vendia-se a ideia de uma Angola única. É importante lembrar que estamos a falar de um país cujas fronteiras foram desenhadas - ou seja, impostas - na Conferência de Berlim (1885); não são fronteiras naturais. Quando você tem um novo país, com fronteiras não naturais, tentando se abrir para o mundo e dizer "vejam, sou Angola, tenho um povo, uma língua", todos os idiomas nativos foram descartados. Na escola eu não aprendi nenhuma língua nacional. O único lugar onde nossas línguas permaneceram vivas é na música. Então, pra quem, como eu, não fala bem as nossas línguas, a música é mais do que só o ritmo; elas são mapas. É só através dela que eu vou chegar à minha essência. A importância destes músicos que continuam cantando nestas línguas é enorme. Somos um povo de quem foi tirado muita coisa; só de termos conseguido manter estas músicas já é incrível. Me lembra aquele cara do Prison Break que tatua o seu plano de fuga. As músicas são o nosso plano de fuga.

 

foto: Gonçalo F. Santos

 

O livro foi lançado há alguns meses no Brasil, e agora você vem à FLIP e faz alguns eventos em São Paulo. "Também Os Brancos Sabem Dançar" uma obra que tem o Brasil dentro de si, seja nas referências à música e à literatura, seja no personagem de Quito Ribeiro na segunda parte, seja na própria identificação que sentimos com as questões políticas/raciais/culturais que você coloca, sob o ponto de vista angolano. Como você vê essa proximidade que você sente de nós, e nós de vocês?

 

Bom, primeiro que nossas histórias são muito parecidas. Somos países colonizados e tentamos sair deste jogo, mas não se sai fácil. Não é algo que você diz "ah, agora Angola e Brasil são independentes, tá tudo bem". Não. A cada dois passos de avanço, há um passo de retrocesso. Porque são séculos de exploração, e isso você não apaga rapidamente. Quando tento passar para o papel algo sobre nossa condição, eu não consigo deixar de lado a nossa experiência coletiva. Obviamente eu tenho meus assuntos preferidos para tratar, mas não consigo deixar de fora as condições de quem fala português. E o Brasil entra aí. Minha identidade está tão definida por essa cultura que é difícil que qualquer coisa que eu faça não passe por "Capitães de Areia" (Jorge Amado), pelas canções de João Gilberto, os livros de Machado de Assis. E eu cito muito a cultura brasileira, não naquela coisa de "olha como eu conheço a cultura brasileira", não; meu sonho é poder escrever e não citar nomes, não dar contexto algum para o leitor, porque ele poderia sentir a identificação com a cultura brasileira simplesmente pelo fato de que nossas histórias, referências e dramas são muito parecidos. 

 

Sim. Vivemos um momento bastante desafiador por aqui hoje em dia...

 

Mas veja, o Brasil foi o único país a ser capital do Reino fora de Portugal, e mesmo depois de independente, ainda manteve parte da família real no país. Sinto que o país não consegue se livrar deste peso do sistema opressor. É importante perdoar as pessoas, sim, mas o sistema… esse tem que ser desmontado, para que não volte a acontecer. E isso que o Brasil não se permitiu fazer, e vai ficando cada vez mais doloroso pro país fazer isso. Porque, cara… são as mesmas pessoas! Os Bragança ainda estão no Brasil! Ou seja, o Brasil tornou-se independente… mas independente do que? Deixou de pagar impostos pra Coroa de Portugal? Sim. Mas do que mais o Brasil ficou independente? 

 

E como você firmou uma relação tão forte com o Brasil?

 

Acho que os pais da cultura brasileira são também os meus pais… ou ao menos meus tios! (risos) Eu sinto que somos uma grande família. Eu fico emocionado, honrado e feliz de ver meu livro chegar ao Brasil. Saber que há pessoas interessadas em ler um autor angolano me faz pensar que esta pode ser uma desculpa para dialogarmos mais, como estamos fazendo eu e você agora. Espero que quem se interesse pelo meu livro, se interesse também em buscar outros autores de mesma condição que eu. Pra mim, o primeiro passo é esse: precisamos nos conhecer. Porque também o mundo não conhece quase nada do Brasil; o Brasil que a Rede Globo promove não é o Brasil real. Mas eu tive que ir ao Brasil para ser confrontado com essa realidade. Eu estou nesse duplo papel: não só trazer o meu mundo ao Brasil, mas também levar os tantos Brasis que estão dentro do país e contar o que eu descobri. Isso tudo pra dizer que precisamos nos conhecer. Precisamos de todo mundo. Inclusive da Globo, não tiro ela da parada. O Brasil é múltiplo e isso precisar chegar aos outros. 

 

É preciso ser meio obsessivo pela sua própria arte pra que a coisa aconteça de verdade?

 

Sim. É preciso uma certa dose de teimosia. E um misto de coragem e ignorância. Coragem porque como artistas seremos desafiados sempre. Mas também ignorância no sentido de às vezes se fechar e não escutar ninguém. Ir em frente com o que queremos.

 

Você consegue sondar seu inconsciente e me dizer por que você faz música?

 

Eu faço música porque eu estou apaixonado por esta forma artística. Eu não toco nenhum instrumento, eu sou um letrista e tive a sorte de me tornar um performer. A música me deu muito, inclusive me deu a capacidade de pagar contas e poder, então, finalmente só escrever. A música me acolheu, e eu sou devoto à música, como religião e como forma de vida. O meu trabalho é fazer com que mais música exista. Estou comprometido com a ideia de que qualquer pessoa que chega deve segurar a porta para que o outro entre. Essa é a minha missão. 

 

***

 

Leia outras entrevistas da série O Artista em Processo: 

Tiê 

Rodrigo Campos

Fantastic Negrito

Erlend Oye

Letrux 

Mallu Magalhães 

Tim Bernardes

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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